sábado, 21 de julho de 2012

AFRODITE


AFRODITE

Escandalosa,
A noite leva-me para os teus braços,
Apresenta-me o frio oportunista
Que força o meu corpo,
A buscar abrigo no teu.
E no aconchego quente de teus braços,
Inundo de amor o teu quarto,
E sinto o pulsar de teu corpo
No atrito involuntário e desesperado,
Causado pelo desejo incontrolável.
Na manhã seguinte,
É inevitável
Ri da distancia física,
Que supõe afastar-nos,
Cuja ignorância não permite vê
Que és como um Deus,
E Que quase te amo,
Acima de todas as coisas.

Camila Rodrigues.

CANDIDE


POR PARTES

Primeiro,
Sem que percebesses,
Eu cheiraria os teus cabelos discretamente
E seguiria hipnótico,
Os teus passos no meio da multidão.
Em seguida,
Imaginaria o perfume único,
Privilégio dos que conhecem a intimidade de teu ser
Por baixo das roupas,
Uma mistura dos perfumes que tocam o teu corpo.
Depois te daria um nome:
Nina, verônica, Rita,  sei lá.
Pouco me importa o nome,
Eu a chamaria de Candide,
AH, Como gosto de Candide...
Gosto de observar quando distraída,
Limpa discretamente um pingo d’água que escorre em seu decote,
E se ganhasse um calo pra cada vez que te amo,
Seria impossivel dissimular o meu desejo.

Camila rodrigues.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

zum zum zum zum zum zum CAPOEIRA...

CAPOEIRA!

Ele achava tão bonito aquele gingado
Aquele molejo no chão de asfalto,
Sonhou que um dia quem sabe...
Poderia fazer bonito o que enchiam seus olhos de criança,
Uma luta, uma arte, que até parece dança,
Muito mais que isso, um recado de esperança.
E naquela poeira do chão batido, começou o moleque a treinar
E com seus vôos meio perdidos, lá ia o moleque brincar,
E brincando foi conhecendo, esta cultura milenar.
Conheceu Exu, ogum, Oxossi e obatalá
E ao som do berimbau foi o moleque capoeirar,
Mostrou que sonhos só são possíveis pra quem consegue sonhar
E que o limite não existe na vida de quem nasceu pra gingar.

Camila Rodrigues.

FUMACINHA...


FUMACINHA...

Ha muito me Feris
E eu nem te falo,
E quando és ferido sou eu Que te afago,
Teus medos e sonhos eu desconstruo
E quando sonho contigo me desconserto,
Talvez por isso, te quero de fato.
Por não ter coisa alguma que valha,
Aposto Todas as fichas em você,
Que muito mais do que um premio desejado,
É o que pude encontrar na prateleira desfalcada
Em meus dias de ressaca.
Então não me venha com essa de vitrine,
Como se tivesse mais alguém olhando.
Tenho vinho e um cigarro proibido,
E ainda estou aqui te convidando.
Não precisa de desculpas ou desdém
Não te quero pra meu bem, essa noite me basta,
Então não seja chato com seu ar de poeta,
Não queira decifrar as minhas cifras,
Quero apenas sentir o hálito de vinho
Que vem de sua boca úmida e quente,
Só por que acho charmoso o seu jeito de falar sem soltar fumaça.

Camila Rodrigues.

POESIA INÉDITA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE.


GRAVADO NUMA PAREDE

Saber que tu não virás nunca encher de rosas o meu quarto,
Encher de beleza a minha vida...
E continuar a espera de tua graça dolente e sobrenatural.
Continuar a espera de mãos vazias...
Saber que não partirás o meu pão, que não beberemos juntos,
Ao jantar, um pouco d’aquele amável e grato vinho velho.
Que não acenderás a minha lâmpada,
Que o piano não possuirá os teus dedos...
Saber tudo isso, o impossível e o irremediável
De tudo isso... E continuar sonhando inutilmente.
Ah! Por que não virás encher de rosas o meu quarto...
Ao menos,
Vem encher de lágrimas os meus olhos.

Drummond

Esta poesia faz parte de um material inédito que está sendo publicado pela editora Cosac Naify com poesias de Drummond. Este é um dos poemas que dão vida ao livro 25 Poemas da Triste Alegria, que faz parte de um arsenal com mais de 12.000 exemplares da literatura Brasileira, pertencentes ao ensaísta e critico literário Antonio Carlos Secchin. Todo o material encontra-se em perfeitas condições, o que possibilitou a edição e agora lançamento do livro, uma raridade de edição artesanal e datilografada pela então noiva de Drummond, Dolores Dutra de Moraes.
O titulo original é aprendiz.
OBS; o texto não foi alterado por isso à escrita da época.


TALVEZ UM POETA


TALVEZ UM POETA
 
Imagine que um dia,
Quando te amei mais do que tudo,
Até poeta quis ser, e fiz de ti, poesia,
Fiz sonhos e fantasias,
Cheios de amor e alegria,
Fiz canção, fiz melodia,
Tantas que nem podes crê.

Só não faço poesia,
Pra dor e melancolia, 
Que tomou posse de meus dias
Desde que você se foi.
Levou o brilho de meus olhos,
E dos sonhos a fantasia,
Das canções a melodia,
Do sorriso a alegria,
E do poeta o desejo, 
De ti, fazer poesia.

Camila Rodrigues.

DESMERECIDAMENTE


DESMERECIDAMENTE

Dos sonhos belos que tive,
Guardo somente a vontade de não acordar,
Pois as lembranças, o tempo se encarrega de apagar,
Guardo também uma confiança inabalável nas pessoas
E uma capacidade incrível de voar.
Dos muitos sonhos que tive,
Os poemas encabulados que se cansaram de tentar...
Na gaveta tem o seu valor reconhecido,
Um traço de recordação num pedaço pouco pretenso de papel,
Que um dia quis ser...
Musica, sei lá.

Camila Rodrigues.