quarta-feira, 25 de setembro de 2013

NEGRALIZAÇÃO

NEGRALIZAÇÃO

Sim,
Essa sou eu,
Negra de raça e preta de cor.
Calos nas mãos, coragem, amor,
Luta, resgate, respeito e valor.
Sim,
Essa sou eu,
Com meus cabelos que sobem aos céus...
Com nenhum interesse em ser fiel,
À cópia fajuta que você criou.
Sim,
Essa sou eu,
E desculpe se não agrado seu toque cheio de conceitos vãos...
Meu carinho é ondulado como as curvas do corpo do mar...
Quem me ama quer se encaracolar
No crespo de mim que é o que eu sool.
Colorida como as flores,
Pelo sol brilhante e quente,
Antes de qualquer coisa, gente,
Antes mesmo de gente,
Espírito, ser.
Por que antes de eu e você,
Existe um nós,
Que é alma e tem voz,
Que canta e grita se preciso for,
Pra que ouçam bem, e entendam de uma vez,
Que a mesma natureza que te fez,
Também fez a mim, meu camarada,
Existe um aspecto da vida em que diferenças não representam nada,
E cada um é o que é, ou o que for.
Sou filha de iansã e xangô,
Repousando no colo de nanã,
Com orgulho de ser quem sool,
Preta de raça e negra de cor.

Camila Rodrigues.


CHEIO DE NÓS...

CHEIO DE NÓS...

O que é teu
Me pertence de fato,
E não se mede nem calcula com números ou estrelas,
Apenas existe para que tu que não o sabes sejas mais feliz,
Espero.
Espero que o amargo dos dias se transforme em lágrimas,
E a chuva de dor espalhe esse amor nos lençóis,
Para que as recordações sejam doces e entorpecidas
Por lembranças vagas e sem credibilidade.
Agora que a noite avança,
E tira de mim as certezas,
Quero que me confundas mais uma vez apenas,
Para dar sentido às noites em claro,
Onde e quando declaro esse amor cheio de nós.

Camila Rodrigues.