sábado, 7 de julho de 2012

SOBRE O DESENCARNAR DE UM FILHO.


MEU FILHO.

Confesso que não pensei em nada,
Ouvi bem longe as vozes gritando meu nome
Me pedindo pra não ir, mas não me importava,
Eu estava indo sem pensar,
Não formulava sequer um raciocínio
Estava tudo embaçado, e eu ouvia minha voz
Gritando bem alto dentro de mim:
NÃÃÃOOO!!! MEU DEEEUS!!!
Aí um silêncio ensurdecedor me invadiu,
O meu coração batia como um rufar de tambores,
As vozes misturadas, luzes, buzinas,
Polícia, ambulância, rostos chorando
Tudo dentro de mim.
É como se não pudéssemos descrever.
São muitos ruídos que se ouve nessa hora,
Não possuímos as palavras.
De repente um vazio, o mundo some,
E do seu lado não tem ninguém,
Nada mais faz sentido,
Você não mais compreende o que as pessoas falam,
E as pessoas falam de mais,
Você não reconhece o mundo
Pergunta o que ouve,
E na manhã seguinte,
Você não tem seu filho.

Mila Souza. Sobre o desencanar de um filho.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

INÉDITA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


VÊ COMO A ÁGUA SUSSURRA

Vê como a agua sussurra no fundo dos tanques ermos,
Como a agua, intimamente chora.
E na face dos tanques ermos
Bóiam flores azues, grandes flores indiferentes.

A agua espanada no ar, em florido repuxo.
A alegria da água, subindo
Sobre a indiferença azul das flores!
- vê o repuxo cahindo
Novamente, sobre os tanques ermos.

Nos jardins,
A ironia da vida é feita de beleza.

(que ridículo pensamento...)


Esta poesia faz parte de um material inédito que está sendo publicado pela editora Cosac Naify com poesias de Drummond. Este é um dos poemas que dão vida ao livro 25 Poemas da Triste Alegria, que faz parte de um arsenal com mais de 12.000 exemplares da literatura Brasileira, pertencentes ao ensaísta e critico literário Antonio Carlos Secchin. Todo o material encontra-se em perfeitas condições, o que possibilitou a edição e agora lançamento do livro, uma raridade de edição artesanal e datilografada pela então noiva de Drummond, Dolores Dutra de Moraes.
O titulo original é aprendiz.
OBS; o texto não foi alterado por isso à escrita da época.

2000 VISUALIZAÇÕES! MUITO OBRIGADA!



Poesia é uma arte solitária. Às vezes nem tanto.
Hoje sinto uma grande alegria em meu coração, pois em três meses foram mais de 2000 visualizações no blog, www.poesia-pra-quem.blogspot.com.br, onde, modestamente, posto quase que diariamente, textos e poesias meus e de vários poetas.
Preenchida por um orgulho imenso não por mim, mas por todos que, em meio a tanta informação, principalmente tecnológica, reservam um pouco do seu tempo para apreciar o trabalho de pessoas que jamais seria visto se não parassem pra olhar.
Quero, através deste, agradecer por cada segundo do seu tempo, que foi de alguma maneira dedicado, a ver, ler e se envolver com a poesia.
É por você leitor, que pessoas como eu olham cada detalhe do dia a dia, na tentativa de mostrar o que está nas entrelinhas de nossa existência.
A todos, muito obrigada.

Camila Rodrigues.

terça-feira, 3 de julho de 2012

III MALOCA CULTURAL, pium, natal,rn, brazil.




 com a intervenção poética de Camila Rodrigues.









no terceiro encontro, maloca cultural foi um arrazo, teve musica, dança, exposições, poesia, foi arte por todos os lados.

DOIDINHO


DOIDINHO

Quando a noite vem acompanhada de chuva,
E sobra mais tempo pra pensar
É bom ficar bem quietinho num canto onde ninguém veja
Por que assim, fica mais quentinho.
Dá até pra imaginar que se vive como criança,
Da pra inventar sabor de bolo
Se quero de maçã ou chocoleite,
Devia ter bolo de flor
Bem que seria cheiroso e bonito,
Vixe dá até pra sentir o gosto.
Quando fecho bem os olhos,
Enxergo tudo colorido e bem claro,
Por que não gosto do escuro.
Acho engraçado, Por que todos passam me olhando
E eu sorrio.
Tomara que hoje não tenha briga,
Aqui é muito violento, tem de tudo
Roubo, pancadaria, acidente e estupro.
Numa casa é diferente...
Tem quartos com camas separadas,
E em noites como essa
Tem pijama especial pra dormir.
Algumas vezes quando chove de dia
Eu costumo fingir que fugi da escola pra tomar banho de chuva,
E nem me lembro como é uma escola.
E de noite, vejo quando uma mulher
Se aproxima, me dá um beijo na testa e vai dormir.
Nesse momento já estou aquecido,
E na realidade ou peguei no sono
Ou estou muito doidinho.

Mila Souza.