sábado, 27 de abril de 2013

IRACEMA



IRACEMA*

Visto-me de sol
E encaro tua beleza
Que repousa entorpecida
Nos canteiros sombrios
Dos hotéis de luxo (LIXO).
A lama rouba tua pureza
E nos mostra que as coisas
Já não são como antigamente.
E mesmo assim,
Drogada e prostituída,
Ainda és a mesma Iracema
Que nunca mais eu vi.

Camila Rodrigues.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

OLHAR AFLITO

OLHAR AFLITO

Congelei o teu olhar aflito a me procurar
Em uma dimensão por onde passou o tempo,
Senti o teu cheiro no ar e vi o teu sorriso no portão.
Reclamei mágoas já esquecidas
Adormecidas como o nosso repetitivo adeus,
E desfrutei do nosso amor de uma maneira inenarrável,
Tua ausência preencheu-me por inteiro
Cobriu-me de dor e banhou-me com lágrimas.

Camila Rodrigues.




ACORDAR SOZINHA

ACORDAR SOZINHA

É só deitar e esperar
Que pontualmente durante a madrugada
O teu cheiro invade os recônditos do meu corpo,
E repetidamente me traz a memória o teu sorriso matreiro.
A respiração vai ficando ofegante,
E de repente é como se eu pudesse senti-lo,
Como se o teu toque passeasse fagueiro
Por curvas secretas do meu corpo insano
É uma lembrança tão recente
Que parece agora,
Minhas pernas tremem
E ouço a tua voz saliente tecendo em meus ouvidos
Comentários indecentes a cerca das delícias do meu corpo.
Como pode alguém ser o encaixe perfeito?
Assim como reconheço o teu toque,
Mesmo perdido entre as lembranças
Que voltam pontualmente durante a madrugada,
Pra me fazer gozar sonhando e acordar sozinha.

Camila Rodrigues.

VELHA RIBEIRA

VELHA RIBEIRA

Passeando por tuas entranhas já imundas,
Sentindo o cheiro forte
Deixado por uma rotina vulgar
Compactuada com suas companhias torpes
E usufruída pela tara de seus frequentadores duvidosos,
Identifico-me intimamente
Com a velha ribeira vadia.



Camila Rodrigues.