sexta-feira, 29 de junho de 2012

SEI...


SEI...

Sei de teus segredos,
Tuas manias e crenças,
Dos teus erros e acertos
E da confusão que fazes
Com as palavras quando está nervoso.
Sei inclusive de teus medos,
E dos obstáculos que enfrentou até chegar aqui.
Sei do pânico que tens de conversas sérias sobre nós dois
E do habito terrível de deixar tudo fora do lugar.
Sei da falta que me faz nas noites vazias,
Em que nenhum papo é interessante
E as piadas não me fazem rir.
Sei pouco de mim,
O que sei é que depois que partiu
Tudo ficou meio sem graça.
Sei também de como é difícil te ver nos braços de outro alguém.
E sei que tudo isso vai passar,
Sei mais ainda do quanto tem demorado.

Camila Rodrigues.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

SOFRER SEM PADECER


SOFRER, SEM PADECER

Eu pedi tanto pra você não me deixar...
Quando estava em silencio
Aí é que eu implorava, suplicava e você nem me ouvia.
Os meus lábios não conseguiam se movimentar,
Minha alma se debatia dentro do meu corpo.
Uma agonia em meu peito
Como se fosse explodir.
Não fiz nada,
Não conseguia me mexer
O fato de você está indo embora
Me deixou paralisado.
O tremor era incontrolável
Assim como as lágrimas antes de dormir.

Camila Rodrigues.

ZILA MAMEDE, poeta potiguar


 
BILHAR
a Ludi e Oswaldo Lamartine
 
Na medida exata
em que a noite corre
não fico: me ausento
como quem morre
 
Entre lousa e livro
- único disfarce
que concedo ao tempo =
mudo-me a face
 
que, no entanto, vária,
inábil, reprimida,
perde-se no encontro
tátil da vida
 
Bola sete em rude
pano de bilhar
marco meu sem rumo
jogo-de-amar.

zila mamede
 

CARITO CAVALCANTE,poeta potiguar.


 CARITO CAVALCANTE

Com uma mão
Fecho os olhos
Com outra mão
Fecho éclair.

Carito

 
Sentir
Sem ti

Não há.


Carito

Fecho os olhos:
Abrolhos!
Viajo num piscar de ilha


 
ELA TIRANDO ONDA
Transformou

O mar em lagoa.


Carito

 
A água grita
Quando servida

Em tigela de berro.


Carito

IEMANJÁ RAINHA DO MAR


IEMANJÁ RAINHA DO MAR
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Dandalunda, Janaína
Marabô, Princesa de Aiocá
Inaê, Sereia, Mucunã
Maria, Dona Iemanjá
Onde ela vive?
Onde ela mora?
Nas águas
Na loca de pedra
Num palácio encantado
No fundo do mar
O que ela gosta?
O que ela adora?
Perfume
Flor, espelho e pente
Toda sorte de presente
Pra ela se enfeitar
Como se saúda a Rainha do Mar?
Como se saúda a Rainha do Mar?
Alodê, Odofiaba
Minha-mãe, Mãe-d’água
Odoyá
Qual é seu dia
Nossa Senhora?
É dia dois de fevereiro
Quando na beira da praia
Eu vou me abençoar
O que ela canta?
Por que ela chora?
Só canta cantiga bonita
Chora quando fica aflita
Se você chorar
Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Pescador e marinheiro
Quem escuta a Sereia cantar
É com o povo que é praieiro
Que Dona Iemanjá quer se casar
___________________________________________________________________________
(canção: Iemanjá Rainha do Mar. música: Pedro Amorim. versos: Paulo César

experiência poética


Phillip Morais compartilhou a foto de Maloca Cultural.
com a presença confirmada da poetisa Camila Rodrigues

segunda-feira, 25 de junho de 2012

TOCANDO-ME


TOCANDO-ME

Tocando-me posso senti-lo bem perto,
Como se estivesse junto
Como se vivesse dentro,
Como se a qualquer momento
Pudesse surpreender-me
Com um beijo, ou um alento.
É quando percebo que longe
Não é perto, e que junto não é dentro.
Posso falar com clareza de qualquer momento
Em que de tão perto, junto e de tão junto, dentro.

Camila Rodrigues.