sábado, 7 de julho de 2012

SOBRE O DESENCARNAR DE UM FILHO.


MEU FILHO.

Confesso que não pensei em nada,
Ouvi bem longe as vozes gritando meu nome
Me pedindo pra não ir, mas não me importava,
Eu estava indo sem pensar,
Não formulava sequer um raciocínio
Estava tudo embaçado, e eu ouvia minha voz
Gritando bem alto dentro de mim:
NÃÃÃOOO!!! MEU DEEEUS!!!
Aí um silêncio ensurdecedor me invadiu,
O meu coração batia como um rufar de tambores,
As vozes misturadas, luzes, buzinas,
Polícia, ambulância, rostos chorando
Tudo dentro de mim.
É como se não pudéssemos descrever.
São muitos ruídos que se ouve nessa hora,
Não possuímos as palavras.
De repente um vazio, o mundo some,
E do seu lado não tem ninguém,
Nada mais faz sentido,
Você não mais compreende o que as pessoas falam,
E as pessoas falam de mais,
Você não reconhece o mundo
Pergunta o que ouve,
E na manhã seguinte,
Você não tem seu filho.

Mila Souza. Sobre o desencanar de um filho.

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