domingo, 8 de julho de 2012

Antônio Rebouças Falcão http://dilemapaulistano.blogspot.com/feeds/posts/default


ADEUS
Quando, ontem, me disseram que as asas se dobram ali e se quebram acolá, fiquei apreensivo. Preparo-me para a fuga permanentemente. Minhas asas, já cansadas pela idade, pouco me adestram. Mas pensei, pensei no nó frígio, o que é incontornável e intransponível: fugir para onde? A mais inconveniente das indagações, a que me põe diante de mim e do tempo, do inamovível. Fugir? Não. Desaparecer. As asas serão as folhas secas sobre que até as árvores desconversam. Livre, serei memória, móvel como todas, intangível. Um chocolate esquecido no assento, no vagão de um trem sem trilhos.


de
 

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