RECORDAÇÃO
Vi-te. Era noite,
a lua descorada
Brilhava nas
paragens luminosas
E a noite
estava toda embalsamada,
Por que exalavam
no canteiro as rosas.
Das esferas
azuis, de etéreas pagas.
A luz descia
cristalina, em jorros:
Ao longe as
águas sem rumos das vagas
E a solidão
tristíssima dos morros!
Quando te vi,
quando me viste, amamos...
Branca, não sei
se recordas... quando
Era a terra um
rosal e, pelos ramos,
O mês do
incenso ia desabrochando...
Amamo-nos e
vivemos docemente
Sobre aterra
cheirosa, erma de escolhos,
E eu me banhava
apaixonadamente
No santíssimo
orvalho de teus olhos
Que febre
imensa a do primeiro beijo!
Mornos, teus
seios virgens palpitavam...
Ah, quantas
vezes, cheios de desejo
Os meus lábios
nos teus castanholavam!
Então, se eu te
falava em noivado,
Tu me dizias:”meu
amor espera,
Deixa que
alveje a lua se pecado,
Até que volte o
sol da primavera”
Desse tempo
risonho do passado
Cheio de tantos
sonhos, de ilusões,
Eu tenho o
peito agora incendiado
No fogo vivo
das recordações...
De ti me
lembro. e quando, nestas plagas,
A luz desaba
cristalina, em jorros,
Eu vejo ao
longe, sem rumos, as vagas
E a solidão
tristíssima dos morros.
FERREIRA
ITAJUBÁ

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